Somos
Somos paradoxo quanto mais eu te quero mais sinto que, possivelmente, não fomos feitos um para o outro. Somos pólvora e faísca no fim só nos restará destruição mútua, mesmo que formemos uma linda explosão, não sobrará nada quando a reação acabar. Somos uma noite barulhenta quando eu queria que fossemos um fim de tarde calmo e alaranjado, aconchegante e silencioso. Somos chuva de uma noite de verão efêmera, intensa e barulhenta enquanto eu buscava em ti uma garoa suave, refrescante e duradoura. Somos uma pergunta, perpetuamente sem resposta, uma falha na realidade, uma história sem sentido. Somos muita coisa, infelizmente, poucas são boas, queria estar-te escrevendo poemas apaixonados, cartas de amor pessoais e íntimas. Somos, no entanto, decepção quando estou a gastar minha noite de domingo pra externalizar esse angustiante sentimento que arranha e incomoda meu interior. Somos uma incógnita fazendo-me me perguntar no que podemos resultar, se, no fim, vai valer a pena as tentativas de te decifrar ou se, quando chegar lá, desejarei nunca ter te conhecido.
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