Azul e Vermelho
Você era azul. Tudo ao seu redor parecia encontrar um caminho até você. Pessoas, afetos, coisas boas que eu nunca soube manter. Você atraía. Eu era vermelho. Tudo que chegava perto era repelido. Amigos, amores, até as poucas coisas que eu deveria ter protegido. Você juntava. Eu separava. Você fazia do mundo um lugar onde as coisas podiam permanecer. Eu transformava distância em segurança. Talvez por isso eu tenha te amado de tão longe. Porque entre nós havia um infinito. Não aquele infinito bonito que os poetas usam para dizer que alguma coisa nunca acaba. Um infinito de verdade. Quanto mais eu tentava chegar, mais espaço aparecia. Eu estendia a mão e você continuava ali. Perto. Mas nunca te alcançava. E talvez o pior seja que você não precisasse fugir de mim. Eu fazia isso sozinho. Era minha própria força de repulsão. Você atraía tudo que eu desejava ser. Eu afastava tudo que desejava ter. E no fim, Azul e Vermelho não eram feitos para se misturar. Você continuou atraindo o mundo. Eu continuei repelindo tudo. E entre nós, o infinito. Sempre o infinito. Perto o bastante para eu te ver. Longe o bastante para nunca mais conseguir te tocar. — João Serenário
Nilza Poetisa
Poema lindíssimo. Esse eu lírico que você coloca na poesia nos faz viajar. Entender a história De amores paralelos Porém nunca juntos. Bravíssimo João Victor. 👏👏👏🤍
João Victor Serenário
Muito obrigado, minha querida. Esse é um poema bem pessoal, foi difícil tomar coragem pra postar kkkkk fico muito feliz por ter gostado. ❤️