João Victor Serenário @graduallyerasing

Pra não dizer que eu não tentei falar de amor

Eu sinto o fim encostar na pele do começo como um presságio sussurrado antes mesmo do primeiro passo. Talvez sejamos só personagens cansados decorando falas que não escrevemos, errando do jeito certo para nos tornarmos alguém. Me abraça. Mas abraça de verdade, como quem tenta impedir o mundo de desabar pelos olhos. Porque eu também estou cansado, cansado desse teatro de coragem onde todo mundo treme por dentro. A gente finge não sentir, finge não precisar, finge não querer ficar. Mas no fundo é só medo de ser o último a ir embora. Amor é isso: um salto sem chão, um riso alto demais pra esconder o silêncio depois. Corpos se encontram antes das verdades, mãos se tocam antes dos nomes fazerem sentido. E ainda assim, eu corro. Corro pra você como quem foge de si mesmo, como quem sabe que não há mapa seguro. Quero viver grande mesmo que doa rápido, quero amar sem freio mesmo que falte ar depois. Porque no fim, tudo o que a gente realmente sabe é simples e brutal: ninguém quer desaparecer sem ter sido lembrado no peito de alguém. Eu não sei muito. Só sei que estou perdendo pedaços em cada tentativa, em cada quase, em cada você. Mas talvez seja isso viver: se desfazer aos poucos até encontrar alguém que junte os cacos sem pedir explicação. Então fica ou vai, mas não finge. Porque entre o começo e o fim existe esse instante frágil onde a gente decide se ama ou se apenas passa. - João Serenário

Comentários · 2

  1. Marcos_romantic

    lindo poema

  2. Marcos_romantic

    Muito profundo, as vezes nos pegamos se perguntando se seremos amados.