João Victor Serenário @graduallyerasing

O estrangeiro

A solidão me persegue onde quer que eu vá. Carrego chaves de portas que nunca abriram. As ruas me conhecem apenas de passagem. Cidades passam por mim como paisagens vistas de dentro de um ônibus com janelas enferrujadas. Eu caminho. De sala em sala. De rua em rua. De história em história. Visitante constante de lugares que parecem casa por alguns instantes. Atravesso a calçada e desapareço antes que alguém pergunte um nome. Mesmo entre pessoas o silêncio se acomoda ao meu lado como um velho companheiro. Um espaço vazio onde deveria existir pertencimento. Carrego pouco. Apenas alguns nomes dobrados no bolso como bilhetes de viagem sem destino. Cartas com despedidas curtas. E ainda assim, eu continuo. De lugar em lugar. De dia em dia. Sem um lugar para onde voltar, ou para chamar de lar. - João Serenário

Comentários · 1

  1. Marcos_romantic

    Belas poesias, você realça muito bem amores que não foram ditos...