Ressurreição
Na aurora fria do sepulcro mudo, Rompeu-se a pedra do silêncio antigo, E o Verbo, outrora semeado em trigo, Brotou da morte, superando tudo. Despiu-se a sombra do pesado escudo Que ao coração servia de castigo, E o homem, que da treva foi mendigo, Em luz vestiu-se, de esplendor sanhudo. Assim também, quando a alma fenecida Jaz sob a cinza de um inverno imenso, Desperta em flor a primavera erguida. Ressuscitar é mais que um gesto tenso: É renascer da própria despedida, E ver, no fim, princípio vasto e denso.
Nilza Poetisa
Renascer da própria despedida. É também sentir que há um princípio em tudo. Embora, muitas vezes não enxergamos