VERSOS AO MAR @ggggg
Poesia

SONETO DA LÍNGUA PRESA

Eu conjugo o amor no mais-que-perfeito, mas ele insiste em ser irregular. não cabe em tempo, modo, nem em leito, e quando penso em flexi-lo, vai quebrar. O sujeito sou eu, mas quem dá jeito é o predicado que vem me complementar. Sou oração sem verbo: um pobre efeito de frase que se esquece de acabar. A vírgula entre nós pede uma pausa, mas o ponto final não vem jamais. Meu coração é crase: existe a causa, porém ninguém entende os meus sinais. E assim me perco nesta eterna cláusula: te amo em todas as pessoas, e nos plurais.

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