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Poeta Do Sol

@gabriel_barroso67 · desde 2022

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Papel em Branco

Caligrafia ao entardecer, antes que o sol se vá, antes que o sentido das palavras se desfaça, num vasto vazio da memória tardia. Palavras sem sentido ditas do coração, palavras ditas da boca pra fora, que guardei no meu coração gelado. Talvez faça dessas palavras uma música e toque na rádio, talvez eu queime essas palavras com ódio e tudo suma pra sempre. Flores e cristais de quartzo rosa jogados dentro do lixo, memórias à flor pele. Cartas minhas, eu canoeiro, escrevendo tudo errado nas páginas de papel machê, a história do nosso amor.

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Arvores

E se as árvores falassem? o que nos contariam? Talvez contassem a história de como elas viram tudo ficar cinza e como as crianças deixaram de brincar de balanço em seus braços. Elas também poderiam se revoltar e gritarem sobre o genocídio natural e real que acontece com cada uma todo dia. Talvez criassem um partido verde, defendendo seus troncos como constituições vivas, Erguendo-se como pilares de um parlamento natural, onde cada folha seria uma voz pela vida. E se as árvores pudessem falar? Talvez fariam poemas de amor, Ensinando ao homem o valor de preservar a vida que a Terra faz crescer, Para que o planeta pudesse florescer e renascer. Mas e se, cansadas, as árvores se calassem? Deixando o homem afogar-se no nevoeiro de sua própria ganância, Asfixiado pela fumaça da ignorância que ele mesmo plantou. A verdade é que, se as árvores falassem, o homem já teria silenciado suas vozes, Assim como silencia a terra, que chora em silêncio, com cada floresta devastada. ~Gabriel Barroso. Diamantina- MG

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Lua nova

Lua nova peito em chamas, céu aberto em mim. Canto triste e insiste um som para traduzir, a palavra acerta cheio em meio ao coração, a saudade invade a pele e expele outra canção. O meu destino é sina e tua mão cruel, vira, revira, risca e rabisca o meu compasso em teu papel. Pisa, desliza, mira e retira outra flor do meu quintal! Passa disfarça, finge e esfinge no temporal. É tristeza acesa e tocaia, cai em mim. É maldade, é tarde e vontade não tem fim. Quando a gente nasce verso, adverso ao mundo, bicho solto vivi bobo e morre vagabundo! Pede recebe nega e carrega o sol no rosto, queima e se perde teima, se encontra na luz do fogo, volta revolta sonha com o sorriso que faz chorar! Peço, despeço e sigo, e você nunca pede pra ficar... Corra grite não duvide existe outro lugar ao sol, compra e beba surpreenda e entenda sem você o mundo parabólica! Mostre esse rosto, deixe exposto, que vela da vida te retribui em dobro.

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Vale do jequitinhonha

Terra que vale ouro, chapéu de couro Vejo lua nova no céu a brilhar Gente de bem com a vida, que até na lida encontra uma maneira nova de sonhar Bate peneira, sereia na areia Que faz o pescador se apaixonar Arte do barro, café e um cigarro Coisas simples que faz a terra girar Verde do mato, calango do cerrado Fruto de ingá que um dia vai brotar ~ Gabriel Barroso/ Diamantina 22/05/24

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Não gosto

Odeio acordar cedo, adoro ver o dia nascer, Detesto ter de fazer café, adoro o sabor quando está feito! maldito cigarro, Maravilhoso trago... É de madrugada e estou sem sono, amanhã acordarei depois das 10:00 novamente! Sou viciado em falhar em cima da minha maldita preguiça. "Amanhã eu faço, depois resolvo..." Sou um mentiroso compulsivo, e pior minto para mim mesmo. Mas beleza, depois eu mudo!

Abril

Grito calado guardado dentro do peito O tempo foi e eu fiquei Na margem dos teus lábios

Violão

Ei violão, meu velho amigo! Você com quem divido o meu cigarro, meu café e até às lamúrias da vida. Você violão, meu companheiro de bar, que na última saideira ainda lembra uma música que me faz cantar. É violão, você que fala comigo, e também me escuta. Meu braço direito, esquerdo! Um parceiro de muitas lutas. Se um dia eu arrumar um cavaquinho não tenha ciúmes, saiba que tens para sempre o meu coração, mas é que aquela morena gosta de pagode, e eu não quero perder ela não!

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Tabacaria

Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido. Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. - Fernando Pessoa

Chuva de amor

Você é uma gota que cai ao relendo, sem direção no momento, semente ao vento. E cai no meu coração e faz brotar essa flor, precisa de água, apague essa dor. Cai no meu coração porque você é uma gota, e eu sou o chão sedento por sentimentos, quero uma gota, quero você gota de amor.

Chega!

Não, não quero escrever! não vou desabar palavras que nem sei se são sinceras. Não creio em mim, nem em quem me quer, queria bem ou mal. O caderno não passa de um psicólogo barato que não diz sequer uma palavra, e eu feito uma barata, tonta embriagada, jogada em palavras que não sei de onde vem. Código secreto inconsciente, que me deixa confuso e sorridente. Vou parar de escrever, mas se não escrever, o que mais vou fazer?!

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