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É dezenove, o trinta e três, Mas se é que pode só uma vez, Voltar o tempo uns dois ou um mês, De trinta anos aos vinte e seis.
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É dezenove, o trinta e três, Mas se é que pode só uma vez, Voltar o tempo uns dois ou um mês, De trinta anos aos vinte e seis.
Soneto barulhento, Não deixou os versos quietos, Aumentou o desassossego, Distanciou o que tava perto, Deixa eu ouvir esse argumento E escutar essa versão, Ensurdecer à noite em pensamento, Amanhecer o dia sem percepção, Onde o desrespeito é o momento, O ódio a falta de audição E tudo um desentendimento, Que cala sempre na mesma questão, Do inaudível sofrimento, Que ouve só a solidão.
Continuar lendoTô bem, que bom, Foi só a solidão me abandonar que eu reencontrei o som, O som que faz meu coração cantar em noites de verão, Mudei, também, por tanto criticar, Foi mais que o mar de tanta indecisão, e agora eu sei, que ser quem eu não sou, não é a cura da razão, Então, feliz, já fui eu sou, mas sei que por um triz eu quase enloqueci, Pois é o que é, além de tudo que quiser, melhor é ser do bem, pra não perder o que quer encontrar, Somente em si, que vai lembrar, porque esquecer é impossível, depois de tanto rabiscar eu descobri que uma folha e um lápis são o melhor anti-depressivo, E o plural, ficou pra trás, Mas não é nada demais, eu só tô aqui, cantarolando, a grafia certa tambem tá aqui, me atrapalhando, Então só vou deixar se a palavra tá no ritmo que eu tô cantando.
Continuar lendoTrinta e três, cheguei, Mas falta um mês ainda, Então eu vou levar os trinta e dois até a última avenida, Enquanto não chegar eu vou ficar nos mesmos trinta, Mas quando o dia acordar, Eu vou deixar comemorar E a solidão não será bem vinda.
Continuar lendoDepois de tanto chão, A depressão voltou pra casa, Foram tantas indecisões que até os corações queimaram feito brasa, Se foi a inspiração e os versos agora são somente uma fumaça, Parece ruim, mas é bom, eu já tinha perdido o dom de viver sem ser um nada, Eu já escrevi muita solidão, mas se é para não ter alucinação, prefiro não escrever uma palavra.
Continuar lendoDepois de tanto tempo, Os versos reencontraram o caminho E voltaram pro começo, Entre a chuva e o gelo, Na serra adormeceram, Ao cair da neve em dias de setembro, Então amanheceram E sem saber estavam, entre todos o primeiro, Ao chegar da tarde se despediram E depois saíram, Rumo ao novembro, Ligaram a caneta, Aceleraram as letras E o reencontro com os versos terminou bem cedo.
Continuar lendoCai a água e molha os versos, Alaga o medo e a solidão, Em dias cinza é mais complexo, Dói mais que em dias de verão, Canta no telhado e embala o sono, Só traz insônia a tempestade, Conta estrelas em noites de outono, Então dorme cedo e sem alarde, Mais um barulho de nostalgia, Uma voz tão calma quando criança, Nem tudo é triste, mas a poesia, Assim escreve nossas lembranças, Perdeu-se o tema em meio à chuva E o guarda-chuva guardou saudade, Nem toda lágrima reflete culpa, Às vezes é só choro de felicidade.
Continuar lendoDoeu bastante, não são só palavras, Se repete sempre, a mesma culpa, O que já foi muito, agora é nada, Mas desconhece essa permuta, Planta uma semente e rega uma dúvida, Colhe um ódio e uma cobrança, Entende tarde que não é uma disputa, É só uma luta por esperança, Cedeu as lágrimas, não foi tão forte, Sentiu no peito, a dor cortar, Descobriu um coração, agora é sorte, Não é de gelo, sabe o que é amar, No seu remorso guardou calado E a solidão ainda o faz calar, É só mais um dia abandonado, Esperando a felicidade lhe enxergar.
Continuar lendoPrepara o verso e as linhas, Escreve o rascunho e o corrige, São tantas solidões e tantas agonias, Da escuridão que sobrevive, Já escreveu mais de mil versos e continua, A cada nova inspiração a dor reconhece, Que mesmo compartilhando ainda é sua, Essa é a maldição que lhe persegue, Não se vê poetisa, apenas rima, As suas lágrimas preenchem folhas, Em cada palavra descreve a sina, De quem já perdeu por falta de escolha, Parece absurdo, mas é a verdade, Só na solidão que inspira sonetos, Não quer reconhecimento e não é vaidade, Só não comemora o seu sofrimenro Já disse tantas vezes, mas vale a replica, Se não escrever linhas, fiquem felizes, Não é exagero ou falta de ética, Mas a felicidade não deixa cicatrizes.
Continuar lendoNo trinco a tela, Na cara o indício, Na face a pressa, O TOC obsessivo, De trancas e flechas, Na noite um aviso, Na insônia a réstia, Já é mais compulsivo, Que a solidão da conversa, Nos pensamentos o conflito Da loucura impressa, Se o passado é sombrio Não esconde as brechas, Só recomeça do início Do trinco na tela.
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