Astuto
Eu me olho por cima da vida Sou astuto, eu sei que sou Não temo a morte, não a conheço Tô bem aqui, ela nunca me procurou Sou cheio de esperanças, prazeres Respiro, intensifico meus poderes Porque nessa sociedade tudo é presente Não dá para nadar no vazio, eu sou inteligente Sou astuto de nascença, de vivências Astuto em poder escrever este poema Eu sei que ele não sabe das minhas sofrências É superficial, não entende meu valor emocional Sou astuto em reconhecer as minhas fraquezas E de tentar, dia após dia, superar uma fortaleza Destruir a sua muralha densa, imensa Imensamente grande essa minha fraqueza Sou astuto de continuar vivendo Nesse mundo cheio de sofrimento Sou "astutamente" gatuno, não tenho medo do escuro Sobrevivo no meio do caos violento, sou sedento de puro movimento Sou astuto por ser um ser humano Me culpo a todo momento, não passo pano Tento fugir dessa ilusão de estar no submundo A sensação de que estou caindo cada vez mais fundo Sou astuto por conseguir me expressar Me livrar do medo, limpar a minha alma Por nunca ter roído o meu dedo, estragado a minha história Sou "astutamente" ansioso, mas de outra forma E o que me define não são os erros e os acertos Muito menos provar ser alguém devidamente perfeito Sou especial por evoluir com cada um dos meus momentos Sou assim, astuto de manter meu tempo aqui algo não apenas passageiro
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