Foto de Fábio B. Reis

Fábio B. Reis

@fabinhoreis · desde 2021

13 poemas 7 seguidores 10 seguindo

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Amor

Romance

Amar é se permitir A beleza da experiência Ainda que ela se mostre ilusão É abraçar forte uma verdade como se ela fosse absoluta Ainda que ela se mostre relativa É se doar completamente, ainda que seja para ser ferido É uma entrega não solicitada, ainda que possa ser devolvida É fazer de um momento, a própria razão de existir Ainda que a existência trabalhe contra a razão do momento É a ingenuidade tornada mártir O êxtase do ser perante a banalidade O clamor da alma contra a mera atração e a mera suficiência É a soma que se faz, mesmo sem ter certeza do resultado É o abraço grego da tragédia, desejando-se a comédia É a fé religiosa tornada carnal E a carnalidade tornada liturgia É uma porção do Paraíso Que se faz na Terra E que, ainda que dure pouco, Gera impressões eternas.

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Vida

Interior

Encontro-me cansado De ser Minha única companhia Nessa pandemia A verdade é que não sou meu melhor amigo Pois não me basto em mim Minha finitude se faz sentir A cada momento Minha visão torna-se embaçada Sem outras lentes Minhas mãos não têm a quem tocar Na solidão de meu quarto Só o travesseiro a abraçar E o espelho a refletir Possíveis diálogos viram monólogos E o eco é a resposta às minhas preces O que poderia eu vir a oferecer A um mundo tão autossuficiente Com um modus operandi tão estabelecido Que eu não tenho nada a acrescentar? Que impressões causei a esse Cosmos? Que almas eu encaminhei ao bom senso? Que vidas foram iluminadas com meu olhar? Agora, porém, só posso oferecer a distância Não a distância sentida Mas a autoimposta Isolando-me, encontro meu vazio Cada fala, uma prece Nesse lar-templo Refúgio do corpo Fuga das missões E nisso a alma se abate Pois o corpo é templo ambulante O anima se estagna como as catedrais E anjos viram gárgulas No interior do eu Esse templo que, sem a luz externa Vira caverna Que, sem carícia, Cria estalagmites e estalactites Que, sem ceia, Vira sobrevivência Sem novas capturas Vídeo vira imagem Mas o mundo gira Eis o descompasso Com a inércia do corpo A alma joga-se violentamente A algum lugar do eu Onde torna-se difícil se guiar A lanterna está se desgastando Deus, aonde encosto a palma da minha mão? Aos poucos, vou tateando Com medo de nunca mais sentir O Eu Que, de tanto se tatear Se perdeu.

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Vida

Proxima Rodada

Vida que segue Segue adiante Não sei pra onde Mas segue seguindo Per-seguindo Sub-seguindo Se perdendo Se encontrando Deslizando pelas minhas mãos Procurando novidades que nunca surgem Descobrindo outras, que nem cheguei a pedir Anseando conquistas que, tão logo chegam, são esquecidas Formando vínculos que crescem e se dissipam Construindo torres que desmoronam Beijando lábios doces que me mordem Gritando palavras desesperadas no deserto Dançando melodias únicas que só eu ouço Compondo pra ninguém ouvir Respirando ares que me inspiram e me confundem Fogem depressa Chegam sem bater Me embaralham, me movem, me encantam e me ignoram Fazendo perguntas que ninguém responde Respondendo coisas que ninguém pergunta Compondo salmos e provérbios proibidos Me dizendo verdades que não posso expressar Na mentira do mundo A vida é uma onda que ainda aprendo a surfar Com uma prancha improvisada por mim mesmo Feita de lágrimas que se solidificam à medida que eu cresço Sou uma utopia ambulante Numa distopia Um romantismo em meio ao realismo A fé em meio ao ceticismo E a razão em meio ao fanatismo Onde me encaixo? Não sei bem Sou uma peça de quebra-cabeças perdida Querendo pertencer a algo ou alguém Sem eira nem beira Encontrando sentido na incerteza Aborrecendo verdades absolutas do além Que relativizam as verdades concretas do agora Estou numa arena de loucuras que me confortam E de uma quietude que me leva ao delírio Sou um peão, dentre vários outros Que quer depor a Rainha chamada Status Quo Que quer montar o Cavalo chamado Autonomia Que quer driblar a Torre chamada Ignorância Que quer saudar o Bispo chamado Reforma E dar o cheque-mate no Rei chamado Medo Num tabuleiro de casas cinzas Mas sou apenas um peão Que se vê na contramão Numa subjetiva ascensão É um jogo cujas regras eu conheço Mas não sou bom em jogar E sigo nessa valsa Que me deixa tonto E enquanto recobro os sentidos Eu vivo Sem saber Se a vida é pra mim

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Amor

Paradoxo

O que pra ti foi efêmero Pra mim é perene O que pra ti foi explosão de sentidos Pra mim foi um estado de coisas O que pra ti foi conto Pra mim foi romance O que pra ti foi página Pra mim foi livro O que pra ti foi lago Pra mim foi oceano O que pra ti foi vela Pra mim foi o Sol O que pra ti foi achar Pra mim foi saber O que pra ti foi escala Pra mim foi destino O que pra ti foi passatempo Pra mim foi significado O que pra ti foi momento Pra mim foi vida O que pra mim foi início Pra ti foi inicio, meio e fim

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Amor

Sou Seu

Seus olhos escuros cruzando os meus Brilham mais, muito mais que o ouro e a lua Sua boca sorrindo eleva minha alma O chão vira nuvem nessa caminhada O tempo congelou E o espaço se ofuscou Quando você encostou Em mim e me falou: "Não quero que isso acabe" Sua voz é a própria doçura em alto-falante Seu corpo me faz homem, paralisa e derrete Quando estou com você, não importa o lugar Tudo o que me importa é você a me levar Ninando o meu andar, ao segurar minha mão E eu presto atenção ao som da sua voz Mais do que nas palavras Não sei se tu és só minha Mas sei que eu sou só seu Eu sei que não posso lhe dar tudo o que merece Tudo o que eu tenho pra dar é o amor eterno Carinho e ternura não podem tirar a sede Do corpo Mas sei que saciam a mim e a ti Na alma E é com este mesmo vigor que eu vou correr Eu vou correr atrás daquilo que é meu E o que é meu é seu O "nosso" é o apogeu Com todo o meu suor eu vou correr Até lhe alcançar Até chegar à vida em que todo dia Vou poder lhe abraçar Beijar-lhe até cansar E em ti eu me deitar Depois, levantar e sair para trabalhar Contando as horas do dia pra poder voltar E se pra você nosso amor muito intenso estiver Te dou todo o tempo e o espaço que você quiser Depois, então, voltar Voltar a lhe beijar Beijar, beijar, beijar Beijar-lhe até cansar Cansar até morrer Morrer de tanto viver Viver bem com você Viver, viver você Não sei viver sem você Você é o meu viver Você é viver e viver é você pra mim Viver, "vicê " Viver, "vover" você Viver após morrer E, então, poder dizer: "Não quero que isso acabe"

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Amor

O Anjo Mora ao Lado

Seu olhar me ilumina Seus cabelos prendem meu olhar a você Sua boca aquece meu corpo inteiro Seus braços me acalentam Sua pele é macia como a de um ser único Seu sorriso me faz acreditar nos anjos Sua risada faz meu ser se elevar Sua voz transmite a pureza de uma criança e a maturidade de um adulto Quando estou com você Sinto-me em um sonho Voando nas nuvens Quando não está A certeza de que mora ao lado Me dá esperança No futuro Quando se for para outro lugar Quero ir com você Pois minha alma está presa à sua Como um imã Os poucos momentos com vc Valem por muitos. Uma hora com você Faz valer a semana E me faz desejar a eternidade Ao seu lado. Obrigado por ser meu anjo.

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Vida

Utopia

Queria viver num mundo Em que o "tudo bem?" fosse mais uma pergunta sincera do que uma saudação Em que família fosse mais uma comunidade do que cadeiras preenchidas ao redor de uma mesa Em que amigos interagissem mais do que por likes nas redes sociais Em que alguém se sentisse realmente responsável pelo outro Pois, afinal, não somos todos irmãos? Filhos da mãe Eva e do pai Adão? A quanto tempo não nos damos as mãos? E não ceiamos juntos comendo do mesmo diário pão? O Pão Nosso de cada dia Que somos nós, em harmonia Saindo da rotina do nosso dia-a-dia E vivendo um pouco além de nós mesmos Quão lindo seria! Se soubéssemos guardar todas as pessoas que a vida nos dá E as aproveitassemos ao máximo Como se o Apocalipse fosse amanhã O que estamos fazendo conosco? Se não é de agora que vivemos uma pandemia De uma vida de apatia Das relações, a distopia A liquidez social Sou eu uma mera partícula social Que não dá peso ao Cosmos? Sou eu uma pena a voar Que ninguém vê nem sente? Uma sacola vazia que o vento leva E não sabe pra onde vai? Só sei o que sei O vazio é pesado demais De tanto dar e não receber De tanto ansear e não ter De tanto esfregar os olhos e não enxergar De tanto amar e, por isso mesmo, sofrer De tanta êxtase, a agonia De tanto sonhar com esta bela utopia

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Maturidade

Presente, professora - Parte 2

Sou grato, mas, ai de mim, pois houve um tempo Em que era mais importante ler do que saber Saber do que sentir Conseguir do que tentar Piores, ainda, são os que colam pra burlar O sistema numérico desse "Bom Lugar" Ai de mim, pois eu queria mais prestígio do que informação! Mais uma vara de correção do que uma mão Que me guiasse pra longe de mim mesmo Presente na classe eu estive Só não sei se as fórmulas ainda estão presentes em mim Pois o assunto é de vocês e a absorção é minha O quadro são vocês mas o cérebro é meu

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Maturidade

Presente, professora! - Parte 1

Presente na sala-de-aula Ausente na minha sacada Meu nome está nessa chamada Mas será que está também no Livro da Vida? Tenho que sentar no assento e prestar bastante atenção ao quadro Faço isso com todo prazer, mas me pergunto: Quem está prestando atenção em mim? É muita informação pra ganhar ponto, mas muita distração para se ler um conto Em que o protagonista não sou eu, É o livro que carrego quase em meu peito. "Bate o sino, pequenino, sino de desdém Ao meu eu e aos meus desejos, para o nosso bem Bate o sino, pequenino, isso não faz mal Se for pra passar de ano, isso é moral?!" Esse assunto até que é legal, mas agora será que posso...? NÃO! Não posso! Opa, Hora do Recreio! É quando vou poder respirar por pouco tempo Até voltar a ser só um pouco de mim "Bate o sino, pequenino, já pode brincar Durante quinze minutos, pra depois voltar Nós vamos te encher de coisa que não vais lembrar Tuas necessidades bem vamos ignorar" Apenas sentar e ouvir, sempre obedecer , nunca desdizer Sempre percorrer, sem nem mesmo ver O que estamos nos tornando nesse entardecer Onde estou agora? Pra onde é que meus pontos me levaram? Eu não sei, gostaria de saber Conhecimento é tudo nessa vida, mas quem é que decide os trilhos desse trem? Qual foi o vagão que peguei, sem nem mesmo saber meu destino? Em que estação parei, depois do sistema de ensino? O aprendizado continua, com ou sem testes Depois de tanto decorar, é que, enfim, chego a pensar Podia ter sido mais cedo, no tempo em que eu queria mais reter do que filtrar Parabéns pra mim! Fui o melhor pro sistema e o pior pra mim mesmo Meu pai está perdido nas drogas, mas, ei, tenho que saber o quadrado do cateto da hipotenusa Quero colocar dinheiro na mesa de minha mãe desde já Mas primeiro... "vejamos aqui, senhores, as propriedades das mitocondrias"! "Por obriga... digo, por gentileza!" Mas obrigado pela disciplina, mesmo definindo a minha própria estima Seus ensinos vou sempre guardar Pelo menos, aquilo que eu lembrar Pra me aperfeiçoar

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Religião

Genio Nosso - Parte 3

Para de marginalizar teu irmão Jovem rico! Que acha que tem as sandálias da salvação Presta atenção, tá descalço e ainda na contra-mão Vocês prenderam Barrabás, mas soltaram Caifas Deixaram de ser mártires pra passar a martirizar Lavando as mãos como Pilatos, com muito sangue a jorrar Ao seu redor, sim, enxergue isso Acredite nos furos das palmas da mão do oprimido Deixa de ser Tomé pro teu irmão renegado Acorda! Jesus tá bem do teu lado! É o teu irmão pedindo ajuda E você chama de mimimi Chega de ir até a Caverna para encontrar a Lâmpada e esfregá-la Para que Deus se manifeste a nós E se foi dEle mesmo a força para irmos até lá ? A caverna são os templos Dos quais Ele já saiu há muito tempo.

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