A memória não faz nada
Ouvi por aí, que notará este verso pálido. Na pele marca a minha cansada oratória de descaso, ando muito cansado e tudo vive tão escasso, que já não sei mais que silêncio desfaço. Ouvirá um resto de culpa na minha boca reprimida, depois, irei murmurar haicais feito um rato morto no chão sujo de banheiro público. E assim sigo sendo escravo do puro, mas também do engano. Ou pior. O puro ser apenas a palavra que ainda não conheço. Que coisa triste é a palavra, não me salvou de coisa alguma. Disse o que pôde dizer e, depois, calou-se para mim. A palavra não fez nada senão matar-me. A memória não fez nada, senão matar-me. Não há nada em mim que não seja pela metade. Metade do que digo é verdadeiro, e a outra metade morre em segredo.
Nilza Poetisa
Lindo poema e profundo também Caio 🌱🍀
Caio Adrian
obrigado, amiga 🤧