Palhaço de metal
A cavidade do céu tornou-se minha alcova, fina morada de areia prateada, sou vago à memória, à zombaria viciosa, reveste-se aos monte ferrosos à esperança que constrói teu rio montante. São as águas caminhantes, dispersas na praia, o vento levando tudo tudo de culto ao meu campo imenso de prazer. Meu rosto era puro metal desleixado deixado ao acaso e preso em infinitos desamparos, é pura lágrima salgada largada no lábio enrugado. E que este coração de palhaço enferrujado alimente o teu gesto de saudade-fria e modele tua voz no canto ecoante, no verbo não dito. E quando este metal enfim se desfizer nas areias de um mundo sem memória, quando eu for apenas pó de metal e maré, ainda será a tua voz que encontrarão em mim.
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