Emilly @encs

o íntimo desconhecido

eu, que nunca soube pertencer vivo entre as frestas do mundo; como uma nuvem que não se molda, como um sopro de mar que nunca chega à areia. ele, ao contrário, pertence pertence aos lugares aos olhares às conversas que não exalam hesitação. enquanto me faço sombra, ele é luz sem medo de ser notada que invade a sala de forma sutil me chamando pra entrar. eu, que sempre temi a dor do sentir o vejo, despreocupado, desenhando emoções no vento como se não doesse, como se amar fosse apenas existir. sempre pensei que eu fosse como ele, que o mundo me admirasse como a ele eu admiro. mas ele é o tipo de pessoa que o mundo deseja ter por perto; e no entanto vejo que seria um privilégio ser alguém como ele, não pela admiração alheia, mas pela liberdade de ser sem medo, de deixar a alma solta, ou pelo simples fato de conter a leveza de caber em todos os cantos.

Comentários · 1

  1. Marcos Cordas Vogais

    que belíssimo poema, sóbrio como um café depois de 30 anos de bebedeira... de uma rara inspiração, muito belo. abraços!