A sensação efêmera de olhar para a parede branca
E sentir os olhos que dali nunca saíram
Ou sequer se posicionaram
A sensação de usar todas as forças para se mover, impedir o escurecimento que invade meu campo de vista,
Me força ao nítido intangível
Do tom de branco infinito
Que envolve meu redor atemporalmente
A qualquer instante, em qualquer vertente
Me torna invisível, transparente
Como um transe que vibra eternamente
Alguém me chama
Não tô presente
Alguém me chama
Inexistente
Alguém me chama
Desvio o olhar
Desapareço
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O tempo se dissolve em um milhão
Quatro mil sereias encaram a estrela do norte como uma maldição
Alguém tenta quebrar o círculo. Um círculo ganancioso que, em desespero, encontra o sutil
Capturando sonhos em uma noite febril
Outono em seu melhor traz o vento sazonal da decepção.
Da aceitação.
Um sopro e o meu café se torna um espelho de reflexão
Do que eu para sempre tento esconder, desde então
Não quero ninguém atrapalhando minha navegação
O navio que flutua na torre mais alta de Londres sorri pra mim. Eu sorrio de volta.
O glamour que encontra as ondas sob as 25 luas às 25 horas, me chama, me clama
O círculo prende o mar e por subserviência, ele me puxa pro fundo
Para outro mundo
Onde o tempo se dissolve em um milhão
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Saudades daquela hora
Do gosto ambíguo daquele café
Do alívio que toma lugar nos ombros do cansado
Daquele veraneio que atinge, tinge o ambiente e faz florecer
Da visão retrô que esteve aqui antes
Antes dessa tempestade acontecer
A desistência frustrante
A discussão errante
A porta que nunca abre
A culpa que você nunca vai sentir
O estresse que você insiste em refletir
A tentativa unilateral de talvez
Só talvez, se você me deixar falar
Uma única vez
.
.
.
Deixa pra lá
A tentativa unilateral de conversar
O desamparo, o desconforto
O descaso
O nó que persiste mais que a minha voz
No silêncio de tudo que eu preciso guardar
Você não entende.
Se entende, não entende
E eu desisto
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Tem gente que chora demais
Tem gente que chora de menos
E tem os artistas, que transformam choro em arte
Em cores, poesia, melodia
Que andam lado a lado com a melancolia
Lá dentro da alma, transformam tristeza em movimento
Incontestável seria deixar tanta intensidade só no pensamento
A arte é pura interpretação, puro teatro
É qualquer sentimento colocado em ação
Qualquer vestido criado à mão, cada canção
Poemas que gritam o coração do artista
Mesmo sem revelar a intenção
A arte são as lágrimas que não podem ser secas
É a assinatura do coração,
O reflexo da mente e uma forma viva de expressão
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A exagerada garota que nunca
Foi vista
Foi ouvida
Foi mencionada
O exagerado garoto que sempre
É incompreendido
É mal interpretado
É deixado de lado
Se conheceram no vale do exagero
Da ampliação
Do aumento
Do excesso
Seu desnecessariamente longo diálogo foi
"Oi."
...
"Não fala?"
"Falo!"
"Por que está quieta?"
"Tenho medo."
"Da narrativa?"
"Da falta dela."
Que desaforo.
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Um poema sem destinatário
É como ter o próprio caso fechado
A beleza da certeza indirecionada que ressoa como nenhuma dedicatória ousaria
Ao imaginar que você poderia, um dia,
Se entregar à vulgaridade encantadora que me conquistaria
Uma poesia sem remetente
É como uma biografia ausente
Inutilmente tentando me alcançar
Sonhando em chegar ao meu patamar
E além disso, me conquistar
Caso você deixasse a noite levar
Seu nome é seu romanticismo invisível
Impossível de decifrar
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A autora que me escreveu
Fez de mim personagem secundário
Me pintou em cenários apagados
Não esclareceu o porque de minha tristeza
Ao ela mesma, destacar sua proeza
De divulgar mais a escrita que o dono da vida
De cada fachada, chamada palavra, bonita
Cheia de esmero e de ambição
No meu próprio livro, como se fosse uma mera continuação
Daquela história chata e mal aprofundada
Que respinga da caneta dela, direto em meu coração
A autora que me escreveu
Rasgou o próprio livro
Ao perceber que o personagem secundário
Iria algum dia ter a própria edição
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Porque eu te dei rosas
Não te dei a lua, não te dei os mares
Não fui complacente com sua maneira exigente de se autodestruir no espelho
Te dei rosas
Mas não comparei sua beleza à elas
Escolhi as mais agradáveis
Que caíram em meus olhos e gritaram você, meu bem
E se ousar, você, a ir além
Saberá o porque de ter ganhado rosas
Não se apegue às pinturas, aos quadros e aos lances altos
De relance nos encontramos, se tornou um fato
E eu trouxe rosas
Porque você, meu bem, ofusca todas as outras flores
E as rosas eclodem ao pensar em como nunca antes pude observar
Como insiste em iluminar
Todas as rosas em seu olhar
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Por que minhas mãos estão sujas
E as deles estão limpas
Se cometemos o mesmo crime?
Por que meus sonhos estão distantes
E os deles, tão palpáveis
Se percorremos o mesmo caminho?
Por que minhas palavras não valem
Diante da palavra deles
Se fizemos o mesmo juramento?
Por que pra mim o sol não nasce
E pra eles, não se põe
Se estamos no mesmo lugar?
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