pai de copo
Me diz, pai, o que eu te fiz? Por que sou o erro que insiste em existir? Nos teus olhos, nunca vi amor, só desprezo, cansaço e rancor. Você me deu os meus maiores traumas Te encontrei mais vezes no fundo do copo do que nos meus dias de dor. Bebia promessas que nunca cumpriu, cuspiu palavras que nunca engoliu. O lar que deveria ser porto seguro era só tempestade e trovão. Eu, pequena e tola só queria um abraço, mas tudo o que recebi foi um não. Diz que me odeia, que sou um peso, um fardo que nunca pediu. Mas quem foi que me trouxe ao mundo e depois fingiu que nunca me viu? Hoje eu cresci, mas a cicatriz não desaparece, só disfarça. E mesmo que eu tente, mesmo que eu fuja, o eco da tua voz ainda me caça. Que a bebida te leve, que o tempo apague o que restou. Pois um dia, talvez, na tua ressaca, sinta falta da filha que nunca amou. emy.
Baba Yaga
você colocou toda sua alma para escrever esse
just an anonymous poet
caralho que profundo