Edson Lancaster @edilancaster

Naquela Sala

O tempo sempre foi meu inimigo, O mesmo desdenha Constantemente, Gozando de minha fúria contra si, Quisera eu o parar ou atrasar. Momentos que desejamos ser eternos, E nem mesmo fotos podem eternizar, Lembranças que nunca esqueceremos, Nem mesmo a divisão ou a indiferença. Naquele corredor escuro, Caminhamos rumo aos nosso assentos, Nosso olhos se entrelaçam, Como a lá de uma fiandeira. Nem mesmo as Moiras, Poderiam prever a intensidade, Nossa energia preenche a sala, se conectam e se completam. Logo se faz necessário materializar, A energia, se torna movimento e ação, Saindo de sua inercia e estagnação, E com um beijo um pacto e selado. No escuro daquela sala, Perpetuando o nosso carinho mútuo, Naquela sessão de cinema, Nos desejamos antes mesmo de saber. Sem compreender a situação. Na ausência de conhecimento, Na falta de intimidade, Nos entregamos reciprocamente. Lá estava sua mão dando bobeira, E como um bobo que sou, A oportunidade logo aproveito, Sinto sua pele quente e frágil. Seu toque me arrepia a pele, Aquieta minha barulhenta mente, Como náufrago ao meio do oceano, mergulho na sua imensidão. Assumo que daquele filme, Pouco lembro sobre seu enredo, Mas de seus sorrisos e olhares, Naquela noite muito compreendi. Como outro nunca demonstrou, Sem palavras ou atos, Pude sentir seu desejo de pertença, Vontade de ser amado fielmente. Mesmo diante do medo e insegurança, Da falta de estreiteza em nós, Não deixou de relevar quem é, Pude desvenda-lo passo a passo. Após o The end pouco aguardado, Muito já compreendia sobre, Seus gestos movimentos e anseios, Busquei acalmar seus temores.

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