Andarilho
Passava a maior parte da vida em bares filosofando sobre tudo, sentia pendularmente frações fugidias de felicidade em cada garrafa que começava e acabava, para no outro dia descobrir que só sobrava a tristeza. Já não tinha dozes de felicidades, as palavras não caiam tão fácil como gotas de chuvas, lhe falta alguma coisa, talvez o corpo e o beijo de alguém. às vezes só escutava os gritos do silêncio do vento. Sentia que tudo o machucava, até o vento gelado depois que o corpo já estava embebido em cerveja, aquilo doía. Quando tudo estava bem não sabia o que fazer com esta vontade de chorar, e quem vai saber se quando estava sóbrio não estava bebado de tristeza? Não se sentia digno nem do sangue que corria em suas veias, vivia dissolvendo-o com álcool. A bebida o cegava e assim fica mais fácil de amar e sorrir. Sonhava com a glória de Saramago. Mas de tanto ser magoado E se sentir abandonado Cansou, virou mago. Pelo seu olhar diriam até que ele desistiu de sonhar. Diziam que ele sabia das coisas, mas não queria saber nada, só queria a irracionalidade de amar. Uns dizem que ele é louco, outros que é sábio. Não sei, o que sei é que é uma boa companhia para um bêbado. As vozes quando voltava pra casa triste, bêbado, no caminho parava na beira do trem para ver o trem passar e escrever um pouquinho, ficava por horas assim, chorava, tentava escrever, se sentia frustrado, escrevia alguma coisa que achava que o daria fama, noutros dias ele olhava seus rascunhos, eram tudo letras incompreendidas de bêbados, coisa que ele achava brilhante na hora mas no outro dia não conseguia compreender ou lembrar o que tinha escrito, frases escritas uma em cima da outra, parente mente as palavras continuariam bêbada pra sempre.
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