A Venda
E foi ali que me perdi, doutor. Bem que eu gostaria de me perder por amor Eu sinto que me falta muito, mas não só isso E claro que isso não me afeta pouco, Não sou coerente com o mundo destoado de sentimentos no qual me encontro. Em vezes, distancio-me Crio meu mundo e invadem Do que não posso reclamar visto que estou fisicamente por lá. Não me deixam o silêncio, mas não sou inclusa no barulho Me questionam sobre meus passos, mas não me acompanham Não me deixam viver como quero depois que vivo como querem. Por que você pode ter seus passatempos e eu não? Por que você quer que eu esteja lá, mas nunca está aqui? Doutor, isso não é só sobre amor É sobre pertencimento Quero ser minha. Como você sabe, No sistema capitalista, tudo se compra Como compro seu tempo, preciso me comprar. Preciso comprar meu próprio espaço, Comprar meu estilo Quero comprar passatempos, Quero ter tempo para passar e pra isso... Foi aí, Justamente nesses pensamentos Que eu enlouqueci. Eu procurava mais formas de poder aquisitivo, A cada hora. Eu procurava não pensar, mas me lembravam das minhas necessidades E eu não conseguia sair dali. Como você pode me curar? Se a sociedade está enferma Se eu não me encontro em outro alguém que possa fugir comigo E se quando encontrei, ela fugiu de mim? Eu ando cansada, Sem sentir por sentir de mais Dormente pela dor que me mente, De que amanhã vou conseguir descansar.
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