Mal gostam de mulheres,
Nem as enxergam
E quando enxergam,
São exageros.
Quando me expus,
Só olharam o corpo
Esqueceram de interpretar minha fala
Não olharam em meus olhos
Nem sentiram a minha alma.
Sou a que trás mais desgosto,
Trago sem gosto.
Grito meus amores,
Meus tremores.
"Ai" de quem me limita,
Eu volto a vida.
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Por que você volta?
Diz que sente minha falta?
Você não sabe meu nome,
Meu aniversário.
E se sabe, como que vivo?
Você gosta de mim até que eu sinta
Gosta de mim até que seja eu
Porque você nem sabe quem eu sou
E me vem indignado.
Talvez você sinta falta de tudo que entreguei a ti,
Mas de mim...
Eu que sinto.
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Eu me deito e espero seguir
Enquanto me sigo,
Deixo de te induzir
E me sacrifico,
Sempre foi por ti
Até quando me liga,
Já sei que não está por vir.
Mesmo que venha, não fica
Você sabe que eu não gosto de te deixar ir
Mesmo que venha, não fica
Porque você nunca quis estar aqui.
Não te espero mais,
Mas se me ligar
Sei o final do seu número,
Mas vou fingir que não sei onde quero chegar.
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Se você volta e diz que me ama,
Eu te questiono
Por que foi embora se sou tão sensível?
VOCÊ NÃO ME CONHECEU?
NEM AO MENOS DESCONFIOU?
Eu te entreguei poemas,
Antes e depois de estarmos juntos
Pouco antes de começar a te amar,
Quando percebi que te amo
E quando pude entregar meu amor.
Te pintei em quadros coloridos,
Te destaquei em cada detalhe
Dediquei músicas,
Mesmo sem te enviar.
Hoje você expõe esses quadros em uma gaveta,
Onde não busca entender o que senti ou o que sinto.
Não me surpreende,
Já que não queria nem me escutar,
Quem dirá decifrar.
Escutei de ti que nada que me doeu era tão doloroso
COMO PODE SABER SE NEM VIVE?
E RECLAMA QUE GRITO,
MAS VOCÊ NÃO ME ENTREGOU CARINHO OU SOSSEGO
ME ENTREGOU GROSSERIA E SOLIDÃO,
COMO EU PODERIA REAGIR?
Vi que eu precisava agir sozinha para ficar,
A troca de quê?
Vai ser do mesmo jeito que me entristece?
Então me retiro,
Mas esperando que fique
Até que se retira,
Então me estranho.
É minha culpa?
Procuro entender e me dói quando vejo que eu poderia fazer mais,
Mas sabe o que também vejo?
Nem mesmo você iria aguentar,
Quem dirá com meu contexto?
Eu cansei de tentar.
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E foi ali que me perdi, doutor.
Bem que eu gostaria de me perder por amor
Eu sinto que me falta muito, mas não só isso
E claro que isso não me afeta pouco,
Não sou coerente com o mundo destoado de sentimentos no qual me encontro.
Em vezes, distancio-me
Crio meu mundo e invadem
Do que não posso reclamar visto que estou fisicamente por lá.
Não me deixam o silêncio, mas não sou inclusa no barulho
Me questionam sobre meus passos, mas não me acompanham
Não me deixam viver como quero depois que vivo como querem.
Por que você pode ter seus passatempos e eu não?
Por que você quer que eu esteja lá, mas nunca está aqui?
Doutor, isso não é só sobre amor
É sobre pertencimento
Quero ser minha.
Como você sabe,
No sistema capitalista, tudo se compra
Como compro seu tempo, preciso me comprar.
Preciso comprar meu próprio espaço,
Comprar meu estilo
Quero comprar passatempos,
Quero ter tempo para passar e pra isso...
Foi aí,
Justamente nesses pensamentos
Que eu enlouqueci.
Eu procurava mais formas de poder aquisitivo,
A cada hora.
Eu procurava não pensar, mas me lembravam das minhas necessidades
E eu não conseguia sair dali.
Como você pode me curar?
Se a sociedade está enferma
Se eu não me encontro em outro alguém que possa fugir comigo
E se quando encontrei, ela fugiu de mim?
Eu ando cansada,
Sem sentir por sentir de mais
Dormente pela dor que me mente,
De que amanhã vou conseguir descansar.
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Já que começamos errado, vamos começar certo agora?
"Tá..."
Quais são seus objetivos pro futuro?
"Eu quero ser bem financeiramente, comprar tudo que não comprei"
Eu também...
Porém pretendo ir pra longe da correria e viver em paz com só um alguém que amo.
Pretende ter filhos?
"Acho que não."
Entendi...
Eu também ACHO que não,
Só...
Quem sabe...
É que eu queria desenvolver alguém semelhante a nós, parecida com você, talvez.
Gatos?
"Tudo bem por mim."
A gente pode continuar com o que era nosso...
"É o que eu quero."
Voltando...
E como você vai agir quando eu me sentir chateada?
"Não vamos começar de novo?"
Estou esperando algo novo mesmo...
"Não sei, depende."
Como que seu amor depende?
"Isso não faz sentido!"
Realmente não faz.
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Você me servia um café morno,
Do jeito que gostava
Eu sempre preferi quente,
Mas nunca reclamei.
Em contrapartida,
Você desprezava ser servido.
De qualquer forma,
Eu subia as escadas e preparava o café como me descrevia
Errei em muitas vezes,
Sorri quando me disse que estava próximo do que queria.
Em contrapartida,
Você nunca me perguntou de como gosto,
Não me escutou quando eu pedi outro preparo,
Nem sei se sequer lembra do que prefiro.
Eu tomava o café e reclamava apenas quando esfriou totalmente,
Com uma tremenda rapidez
Sem que eu tivesse chance de aproveitar.
Me frustra quando não posso tomar mais do café,
Mesmo que ele esteja lá,
Servido
Porque eu sei que está frio.
Em um dia chorei por não ter mais café
Era só fazer um novo,
Porém eu precisava de fogo.
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Em alguns dias me vejo como uma estranha
Como pode alguém tão próximo não te acolher?
É como se eu vivesse um luto a cada dia,
Eu luto pra ficar
E me vejo tentando te esquecer.
Não deveria ser assim,
Se somos tão próximos
Se me quer como diz.
Fico naquela parte onde digo que amo e não gosto,
Como alguém tão próxima.
Vou embora naquela parte que não suporto não sentir seu amor,
Mesmo sabendo que somos próximos.
Será que somos os próximos a se casar?
Parece um lance sem romance,
Não deveria ser assim
Se somos tão próximos.
Eu enrolo o cabelo e me enrolo num outro dia,
Após ser enrolada e sem ser rolada por você.
Penso se consigo sair com outro,
Mas quero ser tão próxima de você quanto já sou de você.
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Me falaram que era eu,
Mas eu me perdi.
Me vi olhando pra tela,
Obcecada por algo tecnológico
Olhando pro horário do ônibus,
Mas se eu estou no ponto, sei que vai chegar.
Pra que a pressa se não quero mudar de lugar?
Me vi entregando muito mais,
No mesmo lugar
Recebendo o mesmo.
Então pra que,
Se só me machuca?
E pra piorar,
Eu estava esquecendo da beleza que crio,
Do carinho que entrego
Do quanto que sou
E amo ser.
É ser,
Arte
Amor
Coisas tão abstratas e tão humanas,
Que admiro existência.
Até os dias tristes são pensados e românticos.
Reclamo porque entendo
E eu entendo porque me conheço.
Sei,
Não deveria estar por aí,
Sou essa daqui.
Vou me sentar no fundo do ônibus pra visão ser de quem vive,
Não de quem se esconde atrás de poltrona.
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"Então eu corri quando escureceu"
"Por quê?"
"Não sei"
"Como não sabe?"
Nesse momento senti o silêncio me convidando a me retirar,
Ele também não corre quando escurece?
"Talvez para tirar as roupas do varal, fazer um jantar e preparar o ambiente para dormir"
"Então tinha um compromisso logo cedo ou mora com alguém?"
"Não, sou sozinha"
E senti também solidão nessa resposta.
Que bobagem,
Ele anota como se minha rotina fosse importante como minha confusão.
"Essas coisas não tinham urgência alguma"
É, eu poderia fazer mais tarde
"Mas e se chovesse no outro dia de manhã?
Se a comida estraga...
E imagina só, se eu chego minutos mais tarde e encontro minha casa mais suja?"
"Isso tudo já te aconteceu?"
"Não, mas acontece com todo mundo".
Ele me deu mais alguns segundos,
Como se estivesse me esperando dizer algo mais
Finalmente,
"E onde isso parou?"
"Logo quando resolveram"
"Aconteceu de novo?"
"Não sei!"
"E estão tristes?"
Não tanto quanto eu,
Refleti.
"E então, todo mundo corre?"
"O quê?"
"Quando escurece, eles correm?"
"Não".
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