O alho justifica o fim
Não há verdade para além de cortar alhos e ser triste. Celebro a tristeza como um tempero ao que quer que possa haver entre os instantes nos quais penso ser alguma coisa ou penso quando pensei ser outra coisa Ou tento me convencer de que não sou coisa alguma. O tempo há de cobrir-me com o manto do nada. Mas enquanto não tarda quero os alhos cortados e quero sabor em dias vazios, cheios do que não possa haver, vazios só na essência de haver fim, Fim que justifica, dá sentido à falta de sentido, Fim que desbrava caminho não visto, maior que ele próprio que é nada. Ando nos mesmos caminhos que nunca são os mesmos São sempre mais ao fim, mais ao que passou mas mais ao fim Pois há de ver-se fim sobretudo ao que não mais é E que por obséquio do Destino existam alhos!
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