O fim não tem fim
Com tua ausência, os dias passam; A memória esvaece, leva-me consigo. O que sou é o esquecimento querido, A lembrança que não haverá De um sonho deveras perdido. Contemplo o que restou Sem saber o que sentir; Suponho o que me enganou À ilusão que trabalhei À poesia sem agora ou porvir. Canso de mim mesmo, De tudo que não serei; Simplifico minha dor Em versos sem sabor: Rotina de uma vida - direi. Quero viver às avessas, O tempo enganar. Mas sou apenas resquício Do que agora é ido E ainda insiste em passar.
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