Charles @chuckwp

Cinza

Abro a cortina para entregar luz A versos que não existem Assim como abro a memória Ao amor que quero crer morto. Deito-me sobre os versos E nem a tinta sob a têmpora fará deles mais meus, Ou mais versos, Ou tão somente verdadeiramente existentes. Na pausa, um trago E o pensamento de que os versos do amanhã - Como estes, inexistentes - Seguirão o curso inútil da memória. O que há é espera; De assistir um passado que não foi, De ver, com olhos humanos, Um impossível sonho de amor.

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