Preto e cinza
Fato da ausência não é resultado Não significa que meu mundo tenha melhorado Tampouco que eu melhorei Talvez o tempo tenha passado e somente eu não notei As coisas mudam devagar, mas o tempo é voraz O silêncio da mudança é sagaz É uma prevenção da existência Se atenta ao desatento e o pega desprevenido É como uma roupa que com seu desgaste Logo, sem perceber, lhe deixa despido Os vícios permanecem e as manias também O tempo passou, mas como água corrente, ninguém o contém Ele é silencioso, não tem sons e nem cor Mas tira a visão aos olhos e da boca o sabor Logo se vê a mudança e o tempo não trás o que se dispersou Peça de teatro, um quadro, retrato falado do que se passou
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