O chamado do novo.
A estrada não avisa quando chega, não pede permissão pra te levar — só abre o peito, solta a presa, e diz: “venha ver o que há de lá”. Deixei o peso do chão que conhecia, as mesmas ruas, o mesmo olhar, pra provar o sabor da água que não bebi, ver o sol nascer em outro mar. Cada curva é um segredo revelado, cada rosto novo, um pedaço meu, que eu não sabia que existia guardado esperando o momento de ser seu. Subi montanhas que não estavam no mapa, falei com ventos de outro lugar, descobri que o mundo não é uma capa mas um livro inteiro pra se escrever. Não há erro em se perder um pouco, é o jeito certo de se encontrar: o novo não chega pra apagar o velho, mas pra fazer o coração mais amplo ficar. E quando voltar, trago no peito cores, sons, histórias sem fim — aventurar-se não é só ir longe, é nascer de novo em cada caminho, sim.
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