A outra vida de Narciso
Há um antigo mito grego que narrava A saga de um belo homem que se via Sorria, apaixonava-se e a si desejava Vagava a vida com a alma envaidecida Fez-se cego de tanto ver e contemplar a si Buscou obstinadamente seu reflexo n'água Ofuscado, ele não percebia que se afogava Nessa procura, Narciso encontraria seu fim Ao longo das eras, no decurso das vidas Narciso voltou, reencarnou no século XXI Embora por outros modos, segue a história Que já se tornou um clássico lugar-comum Esse homem agora jaz preso numa tela Brilhante, de luzes, de cores, de tons, de led Não é nada celeste, mas coisa terrestre Enganosa e traiçoeira natureza humana... Os vícios pelos séculos transformam-se Decerto, possuem poderes metamórficos E o homem se prende por teias, correntes Por cordas, rastreadores, magneticamente Na vida passada, ao menos via realmente Sem filtros, distorções ou lentes diferentes Via gente, como a gente, via simplesmente Com defeitos, sem efeitos, via claramente
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