Ana @brazi
Poesia

Como déjà vu

Ele se veste, colocando uma capa por cima da sua vergonha desavergonhada. Agindo como algo rotineiro, aparentando não ter moral. Fala tão confiante, salvando-nos, como se não fosse o perigo. Mas o cheiro... ah, isso não engana. Eu, hipócrita que o vejo como espelho, conheço tão bem os males que comete, como se fossem meus. O som de moedas encaixa, ao meio da madrugada, uma dor tenebrosa que me leva para o som das notas de um ano que recordo que acontecera amanhã. O amor, como se não houvesse lembranças, parece não existir; destrói. Diz, em tom de ameaça, que a morte é o cenário ideal pra mim.

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