Pássaro
A realidade dói, não tanto quanto a mente, por isso olhei para a janela. Não sei o que eu procurava, mas achei: um passarinho morto no chão da rua. Esmagado, provavelmente, mas ele ainda insistia... no que ele insistia? Aquela janela me prendia. Eu fui escolhida para vê-lo morrer? Então olhei. Ele falava comigo, claro, só entende quem nasceu para entender. Eu não sei o porquê eu fiz, mas me afastei. Um tempo depois voltei à janela e ele já tinha se misturado com o ar, o concreto e o espírito da vida. Havia outros passarinhos ao redor, como um funeral, e eu estava presente sem ser convidada. Eles falaram entre si, questionavam-se qual seria a causa de sua morte. Entre todos os seus iguais, parecia que somente a intrusa sentia o luto.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.