Traidor
Quisera eu o brilho rotineiro Subindo e descendo o mais rapido que pude três, quatro degrais em um passo Quisera eu, salvar dentro de mim Toda platonicidade que se ilude Diante de toda a cintilância Das proprias dissimulações que faço Quisera eu justificar minha estadia Em um cosmos tão mal explicado Os ideais que de mim fazia Foram no fim um fracasso Quisera eu fugir Dessa incessante cronometragem mental Meu coração é um relógio Alarmando um tempo escasso Um paciente num hospital qualquer Um numero na tabela A espera do que me acude Um inocente Uma alma qualquer Num mundo que me deu Sequelas que me fizeram rude Um fiel sem fé A procura de um destino que me mude Rogo-lhe destino Que traga um Deus que me ajude Porque sou eterno passageiro Nestas tuas sádicas paralelidades ambulantes do cosmos? Tua lingua paradoxal Me condena a uma jornada perpétua Me lança nos universos infinitos Minhalma, perturbada por tamanha pequenez E tão desencorajada a continuar pequena Exije de Ti a morte eterna Ou as pequenas alegrias que lançaste à sorte Neste infindo espaço
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