O Cinzeiro
O cinzeiro saca o meu humor. Sabe se eu fumo por euforia ou se é o aperto da ansiedade. Ele conhece a minha medida, o tempo que eu levo pra enchê-lo. Escuta tudo, ali na dele, sem um pio. Não aponta o dedo, não me julga. Só guarda meus sentimentos com um certo carinho físico, até que eu o deixe de lado e o limpe pra contar uma história nova. É um amigo fiel, pro que der e vier. Um cara caloroso que não ri e não chora, mas sabe que eu conto com ele. Dá uma sensação estranha de pertencimento. Gosto de casa, de amor, um sossego que ajuda no desapego. Ele me acompanha pra qualquer canto, não reclama de nada. O que importa pra ele é a interação. Que móvel sentimental... E eu aqui, achando que as coisas não tinham coração. Beatriz Stolfo
Guilherme
UAU,eu nem fumo e me senti um cinzeiro