O Gelo Também Queima
O gelo também queima. Só que em silêncio, sem chama, sem fumaça, sem pedir licença ao tempo. É uma dor branca, subindo devagar, como uma lâmina fria aprendendo a penetrar. Há frios que não vêm do inverno, vêm de olhos que já não procuram, de mãos que se afastam, de promessas que não duram. E há pessoas assim: feitas de inverno e solidão, tocam sem calor, mas incendeiam o coração. Eu descobri que o frio sangra, que a ausência também tem dentes, e certas despedidas ferem mais quando são ausentes. Não me diga que o gelo não machuca. Há queimaduras que ninguém vê, cicatrizes escondidas na alma que continuam a arder sem se perceber. O gelo também queima. E talvez esse seja seu segredo mais cruel: não precisa de fogo, nem de céu em brasa, para transformar um coração inteiro em cinzas debaixo da asa. Bellefleur🌸
Guilherme Daniel
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Sakura 🌸🍃
Clarice, gostei muito desse poema. A ideia de que o gelo também queima ficou forte para mim, principalmente porque fala de uma dor silenciosa, daquelas que ninguém vê, mas que ficam. É simples, triste e muito sensível. Parabéns pela escrita.
Sakura 🌸🍃
🌸🍃🌸🍃🌸🍃🌸🥰
clarice
Muito obrigada! Às vezes o silêncio e o gelo dizem mais do que o próprio fogo, né? Fico muito grata por você ter captado a essência do que tentei transmitir. Abraços! 🍃🌸