Que os cantem os passarinhos
Que passem os redemoinhos
Que acolham os sozinhos
Porque eu tenho algo a fazer
Lamentar-me com os pássaros
Batalhar com os bárbaros
Acariciar as cordas de aço
Do violão que me espera aprender
Que caiam os muros
Que acendam os escuros
Que tapem os furos
Por onde controlo a marionete de dor
Que padronizem os sistemas
Que esqueçam os problemas
Porque isso não muda os poemas
Que mostram-te meu grandíssimo amor
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Ah, espanhol
Idiota
Sai daqui
Êh, eugenista
Seu nazista
Salvador Dali
Ah, desgacado
Fica calado
Segundo ato
Sai, direitista
Seu racista
Monteiro Lobato
Ah, não passado
Exagerado
É dia-a-dia
Vamos mundo
Tudo junto
Glória Maria
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Ah, meu amor
Por favor
Não posso mais
Vai me compor
Sobrepor
Me satisfaz
Cai minha noite
Meia poite
Ama sim
Vai Ipanema
Iracema
Tom Jobim
Que massaroca
Minha oca
Poderá
Ah, se você
Me querer
Apaixonar
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O fogo
Com inveja da água
Queria se esfriar
Tentava beber gelo
Gelo virava água
E fazia ele apagar
A água
Com inveja do vento
Queria aprender a voar
Mas sempre caía
Em forma de cachoeira
Sempre que tentava decolar
A terra
Com inveja da água
Queria correr livremente ser solta, fluida
E não ser tão dependente
E o ar
Tinha inveja do fogo
Do seu jeito bonito de ser
Brilhante e formatos únicos
Ele também era flexível
Só que ninguém consegue ver
No fim de tudo
Água que quer voar
Terra que quer correr
Fogo que quer esfriar
Mas seu próprio valor
Nenhum deles consegue ver
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Ôh, meu sol
minha luz
rouxinol
Óh, minha lua
alma nua
espanhol
Áh, minha, tua
continua
sem parar
Ãh, miniatura
me atura
sabiá
Êh, Curupira
minha tira
mecha-fogo
Éh, meu Sacy
perna só
por aqui
Úh, sucuri
Amazônia
Parati (para ti)
Üh, vira-vira
tranquila
meu amor
Íh, Sarapá
sai pra lá
daqui
Si, dó, ré, dó
lá menor
um fá só
Qui, Ipiranga
pele sangra
vermelhidão
Xi, acabou
tu cantou
solidão
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Ah, querida
amor da minha vida
minha escrita
é só para ti
Quanto tempo se passou
desde que a gente se encontrou
pela última vez
por aqui?
Sinto tanto
teu encanto
que mal se pode ter
não sou digno de você
Queria sair dessa bolha
mas não tenho escolha
senão sofrer
Ah, se eu pudesse
e se você quisesse
por enquanto é prece
nosso amor desilusivo
Mas oque há aqui
são marcas do que sofri
arrependimento de existir
e de estar vivo
Agradeço a compreensão
do meu coração
que nem mesmo eu
havia compreendido
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A janela é minha companheira,
minha cônjuge de aliança,
aliança às brechas de poeira,
poeira que se sopra com esperança,
ela me mostra o céu,
em todas suas versões sagradas,
a madrugada partindo para a alvorada,
e a tarde, a melhor parte,
para executar culpada.
Me dá inspiração para poesia,
me dá sentido para o viver,
me dá a mais pura fotografia,
e a mais pacífica paz para morrer...
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Tudo começa na terra
que é onde tudo floresce
é onde acaba a guerra
e o amor acontece
Logo após vem a água
que rega o amor
que limpa a mágoa
e reflete a cor
Depois pega fogo
o calor da paixão
que queima, que me derrete
e dispara o coração
E por último, o vento
que tem mania de levar
mas meu amor é sedento
e não há vento que consiga carregar
Eu te amo em todos os elementos
todas as coisas da natureza
venho aqui prestar meus lamentos
com a única certeza
que ficaremos um bom tempo
sem muita tristeza
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A vida é coisa mesmo muito simples
Um tempo à espera do fim
Nos expressamos através de timbres
Até que não haja mais nada
Para se dizer assim
É algo que acaba por uma doença
É algo que acaba por falta de brilho
É algo que acaba quando já não há diferença
É algo que acaba simplesmente por acabar
É algo que acaba com o apertar de um gatilho
Algo que acaba junto com quem conviveu
Algo que termina e não se sabe ao certo para onde vamos
Alguns vão para retratos de museu
Alguns, nem enterro têm
No resumo, isso acaba e só aceitamos
Pois não há nada a se fazer, simplesmente, ficam sem...
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Eu procuro o nada onde há de tudo,
eu procuro uma paixão idealizada,
onde há sentimento absoluto,
Eu rastejo quando eu consigo andar,
eu sonho e desejo,
mesmo tendo de tudo que pude imaginar
Eu não posso ver o que há de bom por aqui,
"A ânsia de ter
e o tédio de possuir"
Eu sinto solidão quando tenho muitos amigos,
é bobo meu coração,
por se machucar de sofrimentos antigos,
Eu corro atrás de mim, sem direção,
mesmo sabendo que no fim,
acharei ilusão,
é capaz de eu nunca mais te ver
e não me encontrarei enquanto não abraçar você...
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