Devaneio febril
Essa noite, me despi de carne até que sobrasse só essa imensa solidão de que sou feito e fui de bar em bar, procurando, no fundo dos copos, outra alma que estivesse tão vagante quanto. Não te encontrei nesse oceano de almas que perdidas, à sua maneira, não como eu ou você. Meu conforto está na fé de que o mar que banha minha indiferença também banha a sua, apesar da distância, e, ainda que estejamos cobertos pelo mesmo céu nublado, de alguma forma faz esse nada que sinto tornar menor, menos nada.
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