Pra Deus
Tenho medo de sempre levar pra você as mesmas dores, mas o que faço se é sempre o mesmo chicote que me corta as costas? Por esse medo, me afasto. Sinto que não posso te levar essa cruz que sempre carrego. Me afasto enquanto me sinto esmagar. Quanto mais longe vou, mais longe estou. Mais bate o martelo no prego, que são as dores que sempre sinto e me perseguem como a minha sombra. E me esperam na cama, como a própria cama. Me cercam e consomem. Se me tornasse cedro, tornaria ela a chama. Não se segura, como água no morro abaixo, é da natureza. Os vermes que atormentam o ventre, rastejando no chão. Eu. Essa dor que prostra.
Marcos Cordas Vogais
que belo trabalho... é tão difícil escrever sobre estes temas, que quando vejo uma obra assim sei que foi muito bem trabalhada.... parabéns.