O Olho que me mede.
Me rasgaram um olho na testa, não para ver, mas para ser visto. Um olho maior que o rosto, enferrujado de tanto olhar o mundo e um olho pequeno, amarelo, que ficou de resto, espiando pela fresta. Me puseram réguas na cabeça. Traçaram uma cruz no meu crânio calvo, como quem mira um planeta. Eu queria ser rosto, mas virei mira. Eu queria ser gente, mas virei mapa. Dentro do olho grande mora um poço. Dentro do poço, duas luas brancas. Dentro das luas, nada. E eu, de gola alta, fechado até o pescoço, guardo o silêncio de quem foi desenhado e depois esqueceram de apagar.
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