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Jessie K

@andreoliveira · desde 2020

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Outono

Ventos silenciosos. Em minhas mãos – memórias. Folhas secas no chão, fragmentos de uma história.  Você costumava dizer – eu te amo. Eu costumava me aquecer em seus braços.  Agora, faz tanto frio. Ao meu redor, um vazio. Lembranças não preenchem espaços.

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Além do Jardim

No jardim agridoce, repouso meus desejos. O Sol adormece  atrás da lua. Fecho os olhos pra sonhar   com a minha redenção.  Você ainda me amaria se soubesse que meu coração  é cheio de espinhos? Esta parte de mim, tomada por sombras.  Sentimentos contidos, se tornam veneno. Eu sou aquela, que abraçou o espelho quebrado. No jardim agridoce, um encontro amargo. Eu ainda tenho salvação?

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Submersos

Memórias, legado em ruínas.  Amor que lutou contra o tempo. Mas ainda estamos aqui.  Tudo à nossa volta afundando. Ainda permanecemos. Dois amantes,realeza.  Me dê a mão. Enquanto nosso mundo se perde, nos encontramos nessa lenda. Adormecidos sob as águas.

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Última Viajante

Sou eu,  a última viajante, presa ao convés. Não clamo por um céu  pois confio no chão  por onde pisa meus pés. Amante do que é fugaz. Olhos calados. Mãos que não tocam. Coração que é tocado. Vento leve que carrega as velas, mas se atreve a oscilar aquelas que estão no porão. Tenho nas mãos  uma pena e um coração. E um caminho riscado em um papel amarelado, ou no céu de estrelas, mostrando a direção.  Só quero um lugar ao sol, pra esperar o luar. Embalar meus sonhos nas ondas do mar. Quero olhar a chama que derrete a cera. Saber que até a luz pode ser efêmera

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Velho Moinho

Eu não reconheço a paisagem, mesmo meus pés  já tendo tocado esses caminhos. Orvalhos no campo  e um velho moinho. Eu ouço seus rangidos. Lamentos ou uma sinfonia? Campos dourados que resistiram aos pássaros. Logo vem a estação e os campos passarão. Paisagem turva,  eu o moinho. Sob sol, sob o céu, sob a chuva. Estações vão e vem, eu pareço que fico ainda que eu passe.  Mesmo meus pés no chão, eu me movimento  quando o vento toca a minha face.

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A Dança das Estações

Ela vem dançando Tão jovem e sonhadora Celebrando o despertar de Deméter A vida aflora Com movimentos graciosos Cria a mais bela atmosfera Momento de renascimento Contemplem a Primavera Agora o palco está iluminado O Sol atinge seu ápice O Verão e sua dança ardente Impulsivo e regente Corações pulsam No ritmo do cio A música continua É tempo de estio Dê me agora, uma música mais solene É o Outono que vem para dançar Sábio e nostálgico, traz a sabedoria De que tudo que vem, um dia partirá Deixem que as folhas percam suas cores Há beleza nessa fantasia amarela e marrom Feche seus olhos enquanto ele dança Deixe que vento conte sua história em baixo tom Silêncio Agora a dança é solitária A música é apenas um sussurro No escuro O Inverno vem dançar para si mesmo Mas não á esmo Sua canção é uma linda canção de ninar Enquanto dança, ele dá o beijo de boa Noite Demeter irá outra vez descansar.

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Era Noite

Aquela noite estava tão calada A dor no peito era enfim intensa Não tinha intenção de se sentir sentida Seguiu em frente com seu olhar pequeno Aquela noite estava tão intensa A dor no peito era enfim pequena Não tinha intenção de se sentir calada Seguiu em frente com seu olhar sentido Aquela noite estava tão sentida A dor no peito era enfim calada Não tinha intenção de se sentir pequena Seguiu a vida com seu olhar intenso

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Quero Amor

Quero Amor Amor, mas com direito De que seja mútuo Que não seja feito De um lado só O que não for perfeito Então eu atuo Pra todos os efeitos Que seja maior Que flua pelo leito E sacie a sede O que mora no peito Possa então surgir Que consiga dar um jeito De quebrar as paredes Com todos os defeitos Ainda quero ir O caminho estreito Leva ao paraíso Eu me abro e aceito O amor e sua cura Mas não me sujeito A perder o juízo Amor não satisfeito É apenas loucura

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Convite

O que é que existe No limite entre céu e mar? Zênite Se me permite, vou voar Faço um convite Quando a saudade insiste Abra os olhos para sonhar O que é a vida? Sol nascendo no horizonte A medida Entre o amanhã e o ontem Terra Prometida Água viva sai da fonte História contida Esperando quem a conte A euforia Não importa como vai terminar É melodia Não importa quando vai terminar Vem ventania Não importa onde vai terminar Sou alegria Não importa por quê vai terminar

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Andarilho da Chuva

Sob um manto de chuva Caminha um desconhecido Trajando miséria Quase passa despercebido Chamam por ele Não responde A chuva apaga teus passos Teu passado Está onde? Quem ele é? Qual o seu nome? Sente frio ou medo? Será que tem fome? Onde estão seus sonhos E seus amores? Olhos miram o vazio Para onde Foi suas cores? Caminha sem rumo Enquanto a chuva o açoita Sob uma casa sem teto Ele pernoita A noite parece chorar Por castigar Aquele maltrapilho Sabendo que é apenas Mais um Entre tantos andarilhos -Jessie K

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