Ackeb.gedichte @anare

Cãozinho sarnent

Desintegrando através das preocupações, dos princípios, dos minutos, dos segundos. Enfastiei-me do novo, das dúvidas, das perguntas, das sugestões. Talvez não tanto do gosto da 88. Me sentei à tarde no tapete, num canto, em destroços, como imaginado, sugada por um espírito que sequer cumpriu sua parte do acordo. Se faz tanto caso, que se farte, então, da minha pele negra, maldito. Recebi o abraço de uma colega caridosa, mas o consolo dela não me alcança, embora seja sincero. É incômodo, indigesto, dispensável. Sangrando no banheiro, até a última gota, após duvidar se ainda restava algo em mim, as vozes do acaso dizem: é destrutiva, uma bomba-relógio cumprindo seu papel. Saiba que, se um dia leres isto, meu cãozinho, te digo: hoje você sangra como eu, pois demorou muito decidindo se iria ou não partir. Partiu de mim — e sinto tanta inveja disso.

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