Devoção ao abismo
Se a ti me apego, que o decesso te chame; se não me fendes, serias meu íntimo amuleto torpe e vil. E quando eu disser: “te adoro” ou “te desejo”, teme o espectro que em mim desperta em beijo. Capacho do meu sonho alucinado, sem fundo de sanidade ou limites, por fora um mimo, por dentro envenenado; Igual a mim — tétrico e incongruente —, em beijos quentes te dou minha agonia. Perseguirei em passos hipócritas, vigiarei, como Leather Apron; Desejo por ti — egoísta e faminto —, agradece o meu vício que te quer distinto. Contente-se que eu te abra em carne viva e beba teu sangue em haustos vorazes, pois assim forjo meus sonhos no teu padecer e marco em ti o meu domínio.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.