Defasagem existencial.
Estive por muito tempo com alguém indesejado, fiz do mais baixo nível o meu exemplar. Graças a eles, tenho meu preconceito serrado. Existe, sim, pluralidade de afeto, mas vivo numa pluralidade em um buraco de merda; então, este querer já não é mais o meu caso. Tantas pessoas semelhantes, mesmo distintas, algumas tão inteligentes, enigmáticas. Uma sabe inglês, outra reside em Hamburgo, um torce por um time alemão da Bundesliga, um iniciando sua graduação em Sociologia, outra, bruxa dos cabelos negros de São Paulo. Criei um desencanto tão grande pelas condições desta existência, que até o desejo pelas pessoas parece uma língua que desaprendi sem perceber. Todos que tentam entrar na minha vida já estão percorrendo pela saída. Estou fadada a enjoar de todos que desejarem entrar na minha vida, porque, em mim, o interesse chega sem fome.
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