Corrosão
A obscuridade sussurra meu nome, e o mundo despeja sobre mim um balde de merda fervente. Por quê? Por quê? Por quê? Brado com a boca maculada. Silêncio era meu troco desejado, mas meus tímpanos rebentam em grunhidos e espasmos, zumbidos finos como agulhas que não consigo ouvir. No horizonte ártico penso: a felicidade seria ter um urso polar dividindo-me ao meio. Anseio tormento e, ainda assim, um fim mais célere. Raiva e piedade. Que seja assim, um mingau de vísceras para o labutar da barriga, para que depois, no antro do quarto, eu me contorça pedindo piedade de um farsante deus. Ter alguém ou não é irrelevante, se nem ao menos desejo me ver. A repugnância me trepa como carrapato, desliza vagarosamente pela pele e se aninha atrás das orelhas.
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