Banquete de Cegos
Que a lei se curva à prata em sua dança, E vende a honra à vil negociância, Promete ao pobre vã governança, Mas só reparte a própria herança. Nas feiras sobra fruta em decadência, Que ao chão apodrece na indiferença, Enquanto o lar mendiga sobrevivência E bebe a lágrima da paciência. Pregam virtude em alta eloquência, Mas servem lucro em fria conferência, Jejuam só por vã aparência, Negando ao órfão a providência. Ó pátria cega em dourada elegância, Que chama ordem à desigual balança, Se um come em luxo e outro em andança, Não há justiça — há só distância. E quando a noite cala a vizinhança, Ecoa o estômago em triste lembrança: Que a fome não é obra da temperança, Mas fruto humano da ganância. - Allan Wallace 🌹
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