Ausência
Que se enche de presença
Na farsa da fala velada
Espaços vazios, invasivamente ocupados
Ausência
Do sim, entre (tanto) não
Da hora certa, na incerteza da decisão
Ausência
Do sol, cheio de aquecer o dia
Enquanto a lua atrevida lhe assedia
Ausência
Da beleza contida
Na paisagem pintada
Pelos pinceis de Monet
Vidas impassíveis, capturadas pelo artista
Deleite dos que se comprazem em ver
Ausência
Da alegria, cansada de habitar
O sorriso do palhaço, partiu
E por trás da máscara
Um outro homem surgiu
Ausência
Da beleza de bibelô
Expôs-se tanto que se quebrou
Ah! E agora se precisa de outro ornamento
De maior valor
A ausência se dissipou
No silêncio das vozes, por vezes dissimuladas
Cada vez mais vazia
Com tanta falta de amor.
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Desculpa por desconforto provocar
Por enxergar com o terceiro olho
Que você não pode furar
Por ser a pedra no caminho
Que Drummond versificou
Tu sabes que o teu cala-se
Comigo serve para brindar?
Desculpa pela insubordinação
Por ter educação suficiente para não te aceitar
Desculpa pela independência
Quando teu costume é aprisionar
Desculpa pelas leituras que me (in)formam
Que me mostram muito além
Do que possas interpretar
Desculpa por endossar o coro dos descontentes
Nem tente me manipular
Minha convicção é rocha
Que tua suposta força não pode quebrar
Desculpa pela indelicadeza
Que minhas palavras assumem
Ao te referenciar
Mas meu trato está à altura
Das abjeções que costuma propagar
Desculpa pela firmeza de caráter
Tão em desuso na atualidade
Desculpa, mas vou esperar
O tempo se dissolver
E uma nova era anunciar.
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As ruas aquietavam
Sob o olhar luzidio da lua
Descansavam
Dos pés pesados
Do som estridente dos carros
A noite alivia, alí via
O que o dia egocêntrico
Não permitia
Enquanto as estrelas
ConVERSAVAM, os sonhos
Com palavras me embrulhavam
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Ouvi no violão
Notas tocadas que não me tocaram
E aqui estou, buscando tons
Melodias melodramáticas
Asmáticas, desoxigenadas
Todas fogem arredias
Numa fuga evidente de quem já fez
Inferências conclusivas
Sobre o contexto aparente
Embora tácito
O estático arrepia-se com o tato
Não mais intacto
Teoricamente farto
O sopro é sempre novo e dinâmico
No respiro das horas.
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