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Rosi

@afrodite_angell · desde 2020

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Poema

Ausências

Ausência Que se enche de presença Na farsa da fala velada Espaços vazios, invasivamente ocupados Ausência Do sim, entre (tanto) não Da hora certa, na incerteza da decisão Ausência Do sol, cheio de aquecer o dia Enquanto a lua atrevida lhe assedia Ausência Da beleza contida Na paisagem pintada Pelos pinceis de Monet Vidas impassíveis, capturadas pelo artista Deleite dos que se comprazem em ver Ausência Da alegria, cansada de habitar O sorriso do palhaço, partiu E por trás da máscara Um outro homem surgiu Ausência Da beleza de bibelô Expôs-se tanto que se quebrou Ah! E agora se precisa de outro ornamento De maior valor A ausência se dissipou No silêncio das vozes, por vezes dissimuladas Cada vez mais vazia Com tanta falta de amor.

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Política

Culpa

Desculpa por desconforto provocar Por enxergar com o terceiro olho Que você não pode furar Por ser a pedra no caminho Que Drummond versificou Tu sabes que o teu cala-se Comigo serve para brindar? Desculpa pela insubordinação Por ter educação suficiente para não te aceitar Desculpa pela independência Quando teu costume é aprisionar Desculpa pelas leituras que me (in)formam Que me mostram muito além Do que possas interpretar Desculpa por endossar o coro dos descontentes Nem tente me manipular Minha convicção é rocha Que tua suposta força não pode quebrar Desculpa pela indelicadeza Que minhas palavras assumem Ao te referenciar Mas meu trato está à altura Das abjeções que costuma propagar Desculpa pela firmeza de caráter Tão em desuso na atualidade Desculpa, mas vou esperar O tempo se dissolver E uma nova era anunciar.

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Poema

Anoitece - a noite tece

As ruas aquietavam Sob o olhar luzidio da lua Descansavam Dos pés pesados Do som estridente dos carros A noite alivia, alí via O que o dia egocêntrico Não permitia Enquanto as estrelas ConVERSAVAM, os sonhos Com palavras me embrulhavam

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Poema

(In) tocável

Ouvi no violão Notas tocadas que não me tocaram E aqui estou, buscando tons Melodias melodramáticas Asmáticas, desoxigenadas Todas fogem arredias Numa fuga evidente de quem já fez Inferências conclusivas Sobre o contexto aparente Embora tácito O estático arrepia-se com o tato Não mais intacto Teoricamente farto O sopro é sempre novo e dinâmico No respiro das horas.

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