O Quase
O quase é a parte mínima da vida, anda junto às escolhas, perdas e quedas. É o instante em que o abismo respira antes do passo, o segundo que antecede o impacto, a margem entre o feito e o perdido. O acidente que quase ocorreu, a ofensa que quase foi dita, o caminho que nos desviou do irreparável, tudo isso é uma tatuagem sem tinta, marcas invisíveis que nunca se apagam. Faz parte da condição humana: somos criaturas do “quase”. Quase íntegros, quase coerentes, quase justos, vivemos suspensos entre aquilo que somos e aquilo que poderíamos ter sido. O quase é a fronteira entre o possível e o real, o palco onde se desenrola a tragédia e a grandeza do homem, o fio invisível que separa a vida daquilo que se perdeu, e, ainda assim, nos lembra de caminhar.
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