Yūkio Dazai. @YukioDazai
Silêncio

"Shinjū." - II.

"Enterro dois centímetros a faca em seu peito E novamente contorno o corte Do peito ao quadril Do quadril ao peito - Uma tatuagem eterna. - Mais fundo... Ah... Até que não haja mais da lâmina Para me salvar... - Não posso fazer isso... Não agora. Talvez depois, se você se comportar. ... Meus dedos dançam Sobre o mar escarlate, Sobre o belo oceano de lírios-aranha Que em meu quadro pintei. A tinta escorre do centro do quadro Para baixo E consome dele. Olho para cima, Para o rosto da figura mais alta que eu - Que possuía de uma feição de puro deleite e dor Batidos num liquidificador. Toco a piscina de água quente cheia - Sinto seu fervor Queimar meus dedos E os manchar. - Não pretende me salvar? - Sou egoísta, nem um pouco altruísta... Talvez, se também me salvar, eu te salve. Meus olhos se direcionam aos olhos castanhos Olhos castanhos brilhantes, cheios de vida Embora antes estivessem se decompondo. Libero uma mão. Uma única mão. Uma já basta - Duas é demais. - Faça o que quiser. Me mate do jeito que desejar. Suas opções diversas são... Embora tenham uma restrição. Mas antes... Vamos selar nosso destino, Ter certeza de um futuro distorcido E um passado que talvez não mais será visto. Uso de um cinzel Para esculpir rachaduras Em meus próprios pulsos E nos pulsos da minha obra de arte. Misturo pedra Com tinta a óleo - Misturo água com fogo, Gelo com vapor. Caules de flores se entrelaçam Jardins são regados - São feitos pecados E à morte somos setenciados. - Essa vida não vale a pena ser vivida... Junte-se a mim na morte. - o convido, embora da resposta já tivesse noção. - Com prazer o farei. - ele responde, sem hesitar por um instante. Para ele um cristal entrego. Um cristal pontiagudo, Mais afiado que uma adaga, Mais pontiagudo que uma estalactite. Seguro uma ametista, A faço roçar contra a pele sensível do pescoço Sinto a veia pulsar Através da pele tênue. Cedo à vontade de libertá-lo por completo - E assim o faço; Desagelmo seu pulso esquerdo." — Yūkio D.

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