X @Xeberria
Amor

Carta de Sábado

Longe do amor, chega de estar aflito Se ele não me alcançar, não vai me machucar Mas longe dele e sozinho Como irei aprender a me curar? Sabe, por que no amor não consigo ser feliz ? Eu amei tanto, me doei tanto, foi o que sempre fiz Por você joguei no mar meu nome, minha razão, minha paz Nunca foi o suficiente, nunca foi o eficaz Mas você insiste em escapar, parece que foge de mim Como pássaro que viu uma gaiola em seu jardim Eu confiei em sua proteção amor, quando você ainda era vivido E você me cortou, pois era apenas uma trincheira de vidro Você é uma doença terminal que não precisa de diagnóstico O único veneno que se bebe, mesmo tendo rótulo Sinto falta de amar, andar de mãos dadas, da pura paixão Da faca doce que corta e pede perdão Houveram bons momentos, e não há oq fazer Mas me rejeitou tanto, meu coração agora rejeita você Eu já declarei sua morte amor, de você não quero mais sentir Qual o sentido de amar, se o fim várias vezes eu já vi ? Infelizmente, até tentei, não vejo seu propósito E fui eu que causei seu nascimento, crescimento e velório Eu te enterrei, mas ainda sinto fome E essa brasa que arde no peito, ainda sabe teu nome _X_

Comentários · 2

  1. Sakura 🌸🍃

    “Você declarou a morte do amor, mas o último verso entrega o cadáver ainda respirando. Talvez seja justamente essa contradição que faça o poema doer.”

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    1. X

      Muito obrigado por ler ele, é exatamente isso, apesar de ter declarado a morte do amor, assim como muitos fazem, o coração ainda quer amar e ser amado, mesmo que tenha só vivenciado a dor 🌻 🪄

  2. Leona

    "o único veneno que se bebe mesmo tendo rótulo" essa parte foi minha favorita porque mostra que a pessoa continuou nessa abstinência por ele mesmo sabendo quem ele era