A Última Prece
Eu a encontrei numa noite sem hora, num bar onde o tempo parou de contar. Ela cheirava a lembranças que eu nunca tive, e falava como se soubesse algo que eu esqueci. Seus olhos eram promessas mal pagas, seus lábios, um caminho sem volta. E eu fui, como sempre fui, como um homem que já perdeu tudo e ainda insiste em apostar. Ela ficou até o sol ameaçar voltar, deixou o cheiro no travesseiro, mas levou embora qualquer chance de descanso. Depois vieram outras, com os mesmos gestos, os mesmos sorrisos, as mesmas mentiras que eu fingi acreditar. E agora? Agora eu vejo o mundo por trás de um copo vazio, converso com sombras que não respondem. Eu jurei que esqueceria, mas há noites em que a cidade me chama, e eu saio procurando um fantasma que nunca mais voltou. Talvez amanhã eu acorde, talvez amanhã eu pare. Ou talvez só acenda mais um cigarro e espere pela próxima ilusão. _W.
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