POETA DE JANELAS DE QUARTO @Wellington_perNNa
Poema

_Velha casa, velhas contas_

Ei, Sabe aquele tipo de lugar onde o tempo não quer mais ficar? Onde as paredes rangem como se estivessem tentando se lembrar de algo, mas não conseguem? Pois é. A velha casa de madeira era assim. O vento entrava pelas frestas e sussurrava como um bêbado contando uma história triste no balcão de um bar. E o diabo, ah, ele estava lá. Não vermelho, não com chifres. Mas com aquele sorriso cansado de quem já viu de tudo e sabe que no fim nada muda. Ele me olhou e disse: "Segue em frente, garoto. Perdão não é pra gente como nós." Ela ainda estava lá, no canto do quarto, esperando algo que nunca veio. Talvez eu. Talvez outra coisa. Mas um dia, foi embora. Como um cigarro se apagando num cinzeiro sujo. E eu fiquei. Tentando entender o que sobrou de mim depois disso. Ajoelhei. Rezei. Meus joelhos sangraram. E o silêncio respondeu. Deus e o diabo tinham ido embora. Deixaram a conta aberta e eu era o único trouxa no bar. A noite canta a mesma música de sempre: uísque, erros, fantasmas no retrovisor. Vi o rosto dela no rio, por um segundo. Depois só a água, escura e fria. Então é isso. Não abaixo mais a cabeça. Não peço mais nada. Só sigo andando, porque no fim das contas, a estrada não espera ninguém. E aquela casa? Ainda me chama. Mas eu não volto. Algumas coisas precisam queimar. — W.

Comentários · 2

  1. Délia

    bonito poema!

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    1. POETA DE JANELAS DE QUARTO

      Muito obrigado 🙏🏻

  2. Arturo

    Bom poema!...

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    1. POETA DE JANELAS DE QUARTO

      Muito obrigado ☺️