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Olha, não sei por onde começar, mas estou voltando. Não me espere com um jantar quente ou uma cama arrumada. Eu vou chegar quando der, e talvez nem seja do jeito que você espera. O caminho é estranho, torto, feito de pedras afiadas e memórias sujas. Metade do tempo, minha cabeça gira como um carrossel quebrado. As dúvidas vêm, me agarram pelo pescoço, e a coragem? Bem, ela me abandona como um rato fugindo de um navio afundando. Quantas vezes eu tentei consertar tudo? Mais do que consigo contar. Mas cada tentativa veio com um custo, e a conta nunca parou de chegar. Revirei o passado como quem mexe no lixo, tentando encontrar um pedaço de tempo que ainda tivesse algum valor. Tudo sob o mesmo céu cinza, vivendo e morrendo no mesmo ciclo miserável. Mas algo mudou. Não vou andar sozinho dessa vez. As suas palavras – ou seriam orações? – vêm como ecos de uma vida que eu já tinha esquecido. Elas chamam meu nome. Mesmo no escuro, eu consigo ouvi-las, me puxando para longe desse abismo. Os passos falham, você sabe. Tropeço em cada maldito obstáculo. E as sombras? Elas sempre estão ali, esperando por mim. Mas, no meio disso tudo, a sua voz ainda é a única coisa que parece real. Ela me empurra para frente, me arrasta até a luz. E então eu lembro – não importa quantas vezes eu tenha ferrado tudo, não importa o quanto eu tenha corrido atrás do tempo perdido, eu não estou sozinho. Não mais. A névoa é densa, mas a sua voz corta como uma lâmina. Ela atravessa o silêncio, espanta os demônios. E mesmo que eu tenha me perdido pelo caminho, sinto o seu amor me puxando de volta. Então, é isso. Estou voltando. Não sei quanto tempo vai levar, mas estou chegando. Com o que sobrou de mim, com todas as cicatrizes e todas as pedras no bolso. Finalmente, estou encontrando o meu lar. Wellington Augusto Schtoltz da Silva
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