POETA DE JANELAS DE QUARTO @Wellington_perNNa
História

"Rugas e Poeira"

Quando tudo já não significa mais nada, e seus filhos perdem a fé nas suas velhas verdades, os que partiram antes da hora serão esquecidos antes que o céu amanheça, tingido de cinza. Se houvesse escolha, eu iria embora com todos os irmãos, sem ter que engolir suas crenças mofadas. Ao menos guardaria pequenas memórias, daqueles que arrancaram da terra seca o ouro mais precioso, regado ao suor que escorria de suas cabeças cansadas. Essas foram as palavras que vieram à minha mente quando encontrei aquele homem na estrada. Ele me olhou, por trás de rugas e poeira, disse para continuar sendo aquilo que **sou**, não aquilo que **finjo ser**. Desafiou-me a construir algo que valesse ser lembrado, um legado de herói de guerra, mas não daqueles cobertos de medalhas, um herói cuja espada é a maldita caneta, deslizando sobre o papel para espalhar verdades que nunca foram contadas. Escrever o que dói, o que pesa, o que é real. Desenhar com tinta negra os caminhos que só a dor revela, rindo baixinho entre goles de cerveja, porque a felicidade também é uma farsa, mas a dor – essa, meu amigo – é genuína. Essas foram as palavras que queimaram dentro de mim, quando aquele homem, naquela estrada, me disse para continuar sendo o que sou, e não o que digo ser. E então, sozinho, como os bêbados às três da manhã, tracei meu destino com as linhas mais tortas, porque o legado de um homem não está na glória, mas na luta que ele escreve. E ali, entre fumaça e palavras, eu voei, mais livre do que jamais fui. _W.

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