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Eu estava dirigindo aquele carro, sem destino, como sempre. A verdade é que nunca tive controle de nada. Mas naquele dia, nada importava, porque você estava ali, sentada, rindo como se o mundo fosse nosso playground. E por um segundo, eu acreditei. O mundo parou para nos ver. Sem medo, sem pressa. Mas o céu... o céu sempre desmorona. E eu perdi o controle. Foi um flash de luz, rápido demais, como a vida que você acha que tem nas mãos, até que o destino resolve te foder de vez. A estrada, a porra daquela estrada, me engoliu. Tarde demais para frear, tarde demais para qualquer coisa. Ouvi sua voz, suave, tão suave, e depois só silêncio. O tipo de silêncio que gruda na alma. Agora, eu acordo com o som do seu nome martelando na minha cabeça, os destroços daquele dia se tornaram a minha cama, e a culpa é a única coisa que me abraça. Se eu pudesse voltar, se eu tivesse essa chance maldita, te abraçaria de novo, sob aquele poste de luz, onde tudo ainda parecia simples, onde eu ainda acreditava que poderia te proteger. Mas o tempo é uma piada cruel, um ladrão que me deixou com seu sorriso, escorrendo pelas minhas mãos como areia fina. O que me conforta, o que me tortura, são as memórias que me contaram mentiras. Elas mentem, todas as noites. Eu vejo seu rosto na chuva que desce pela janela, em cada sombra, em cada sussurro que soa como um "olá" que nunca chega. Sua risada, agora um fantasma que me segue, um fantasma que não quer me deixar em paz. O amor que eu conhecia se afogou naquele medo, e agora eu também estou afundando. Será que você me perdoaria? Será que entenderia? Eu era só um homem. Só um homem, tentando segurar o tempo, tentando ser mais do que eu era. Mas a culpa... ela é como uma corrente que me arrasta para o fundo, e mesmo assim, é o seu rosto que me faz continuar. Mas o que me resta é essa noite sem fim. E a escuridão, aquela velha companheira, me lembra que, de alguma forma, você ainda está aqui. Ou talvez seja outra mentira.
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