Uma vez eu morri
Uma vez eu morri. Mataram-me. Minha carne – pálida e pútrida – Serviu de banquete a uma horda de abutres. Sim, não me enterraram. Sinceramente, eu nem queria. Prefiro ser estrume de abutre Do que estar preso num caixão, Um caixão apertado, cheio de flores plásticas! Sendo estrume, ajudo as árvores a crescer. É uma desgraça. Na vida, fui um inútil. E, quando eu morrer, tenho que ficar sepultado? Preso num caixão, sem fazer nada? Uma vez eu morri. Mataram-me. – Um morto!
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